Desvendando o poder da mentalidade (mindset) Parte 2

Como eu falei no texto anterior,  quando eu decidi me exercitar para valer, a primeira coisa que  fiz foi a de observar. Para começar, quando eu acordava, você quer saber o que eu dizia para mim mesma? Ah, que chato! Agora que você inventou isso de ir para academia regularmente, NÃO PODE FALTAR! TEM QUE IR TODO DIA! Notei que eu sentia essas palavras caírem pesadamente sobre o meu corpo. Muitas vezes, eu “achava” que estava cansada demais para ir, com muito sono ou dores inespecíficas. E então eu percebia minha mente funcionando em várias “camadas”: você não tem que ir coisa nenhuma! Depois ouvia também: – você sabe que esses incômodos todos é para você não ir, fica e dorme mais um pouco. Vai ser melhor! E tinha ainda uma coisa: – já sei, você vai mais tarde se sobrar um tempinho! Aí vinha aquele sorrisinho secreto em que “sabe” que este último argumento é irresistível e numa tradução livre, quer dizer: você não vai de jeito nenhum! Quem nunca passou por isso? Claro que como psicóloga, eu sabia que minha mente estava funcionando para eu não ir, usando argumentos cada mais convincentes de que era o melhor para mim. Então, decidi encarar com um experimento e disse a mim mesma: se você encarar sua mente como um paciente passando pela mesma dificuldade, o que você diria e/ou faria?  Este foi um ponto de virada para mim, pois “tratando” a mim mesma como um paciente, eu usaria de estratégias muito mais maleáveis, ou seja, não bateria de frente, uma vez que sei que isso só aumenta a resistência.

Você já deve estar curioso para saber como lidei com esta situação, não é mesmo? Pois bem, preciso compartilhar que eu muito amorosamente disse a mim mesma: – entendo que não é fácil começar algo novo, é mesmo assustador! Quando me ouvi dizer isso, eu me senti “ouvida” e minha resistência diminuiu. Fiquei curiosa e pensei: – o que dá para fazer? É possível ir mesmo assim?  Para minha surpresa, eu apenas percebi que não é preciso agir de acordo com nossos pensamentos mais automáticos. Eu posso pensar qualquer coisa (e sentir também!) e adotar um comportamento que seja mais adequado com os meus objetivos. Talvez você esteja se perguntando: – precisa ser uma voz amorosa?

Não necessariamente amorosa, mas no mínimo simpática se você quer desenvolver uma mentalidade de crescimento. Além disso, foi crucial perceber que eu poderia encarar todo esse diálogo mental com DESAFIO e não como uma prova de que não seria capaz. E desde então, me tornei uma grande observadora e chego até mesmo a me divertir com toda a camuflagem que ela faz para me fazer “desistir” de ir algumas vezes.

Do que você pode ter percebido que a mentalidade fixa funciona bem diferente da mentalidade  de crescimento. Na primeira, não uma dificuldade de aceitar os “erros”, e a pessoa se sente julgada, como se um “NÃO CONSIGO” fosse durar para sempre, como um fracasso “eterno”. Já com a mentalidade de crescimento é possível aceitar que todo aprendizado é processual, e as falhas são sentidas como possibilidades de aprendermos mais, é o que a Carol Dewck chama do poder do “AINDA NÃO”, isto é, posso aceitar que não  consigo fazer “x” coisa, mas se eu me esforço, em breve considerei! Sabe qual é a melhor notícia? É que você pode aprender a usar sua mentalidade de crescimento e assim conquistar seus resultados? Vamos começar?

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP 05/48233

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Desvendendo o poder da mentalidade (mindset)– parte 2

 

 

 

Desvendando o poder da mentalidade – Parte 1

Uma das coisas mais enriquecedoras é poder compartilhar aquilo que a gente acredita e hoje eu tive essa oportunidade com uma amiga. Ela estava muito curiosa com os posts que venho fazendo do Projeto Fitnessmente, pois queria entender o que pode fazer alguém como ela que faz exercícios ocasionalmente para se tornar uma praticante regular. Sempre que surge este tipo de oportunidade faço questão de ressaltar que eu também era uma praticamente irregular e igualmente carregava comigo uma série de “crenças” que me limitavam até que teve um dia em que eu decidi mudar e comecei a me observar, assim como eu faço com meus pacientes no consultório de psicologia. Foi então que eu pude me  flagrar, quer dizer, pude flagrar minha “ mentalidade  fixa” funcionando. Naquele momento, eu ainda não conhecia este conceito da pesquisadora e psicóloga Carol Dweck que aborda a Psicologia do Sucesso, mas como terapeuta cognitivo-comportamental entendia a importância daquilo que a gente acredita profundamente sobre o nosso comportamento, o qual chamamos de crenças nucleares (auto conceitos rígidos sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o futuro).

E o que minha mente fixa me dizia? Ela tinha um jeito muito interessante de  funcionar, preciso admitir, pois me “livrava” de ter que lidar com possíveis fracassos na prática de me exercitar. Ela me advertia que exercício regular era coisa de quem não tem o que fazer, que não valia a pena começar, pois jamais seria como as blogueiras fitness. Além do mais, a prática era quase como uma “vocação”, ou você nasce com ela ou nem adianta tentar. Pelo que estou descrevendo, é possível perceber que não é nada diferente do que pode estar acontecendo com você neste momento, ou seja, eu ostentava uma “mentalidade fixa” com muito orgulho, do tipo: isso não é para mim!

Porém,quando eu decidi me comprometer de verdade e começei a me observar, eu identifiquei que em outras áreas da minha vida eu pensava e agia de um jeito bem diferente. Quando surgia um obstáculo, eu pensava:  ok, eu AINDA  não sei fazer,  mas vou aprender! Eu não contava com os resultados imediatos, ao contrário, eu aceitava as etapas do processo e até me sentia muito entusiasmada com o frio na barriga quando tinha que encarar algo completamente novo pela primeira vez. E foi assim que me senti quando entrei no mestrado, depois no doutorado, quando me mudei de cidade, quando viajei sozinha…a minha mentalidade  em tudo isso que falei agora foi a de “crescimento”, ou seja, aceitava o desafio, valorizava o esforço,  desenvolvendo a mim mesmo cada momento. Quando me dei conta disso, resolvi que encararia a prática do exercício da mesma maneira, e foi quando as coisas começaram a mudar. No próximo texto, vou mostrar para você como usar a mentalidade de crescimento na aquisição do exercício físico. Vem comigo!

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP 05/48233

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